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Sheila

Ontem, fomos com a Sheila ver sua família. Seus pais nos mostraram o que fabricam em família: panos para a casa enfeitados por eles, com tinta, formas, pedaços de pano e croché. É o trabalho da família. Sheila é o braço direito, diz sua mãe. Em seguida, Sheila nos fez visitar um pouco o bairro. Falamos portunhol, um pouco de português, um pouco de espanhol. Sheila também é muito presente no Instituto Alana, e é ela que recebe hoje as crianças no espaço de informática.
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Hier, on est allé avec Sheila dans sa famille. Ses parents nous ont montré ce qu’ils fabriquent en famille : du linge de maison décoré par eux, à la peinture, au pochoir, avec des paillettes et des éléments au crochet. C’est le travail de la famille. Sheila est le bras droit, dit sa mère.
Sheila, ensuite, nous a fait un peu visiter le quartier. On parle portunhol, un peu de portugais, un peu d’espagnol.
Sheila est aussi très présente à l’instituto Alana, et c’est elle, aujourd’hui qui accueillait les enfants à l’espace informatique.

les trois jeunes filles / As três meninas

Didier, Catherine, Martine e Paulo foram ao bairro das três meninas.
Por que as três meninas?
Há três histórias diferentes sobre estas senhoritas:
– Uma sucuri comeu três meninas
– Um fazendeiro tinha três filhas. Quando morreu, elas administraram suas terras juntas, harmoniosamente.
– Três meninas viram a Morte, que costumava passear aqui.

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Didier, Catherine, Martine et Paulo sont allés au quartier des trois jeunes filles.
Pourquoi les trois jeunes filles ?
Il y a trois histoires différentes sur ces demoiselles :

– Un serpent a mangé trois jeunes filles.
– Un fermier avait trois filles. A sa mort, elles ont géré le domaines ensemble, harmonieusement.
– Trois jeunes filles ont vu la mort qui se promenait ici.

Gabrielle

Fomos bater de porta em porta nas casas e uma chuva torrencial caiu sobre nós.
Os moradores são tão acolhedores que já tínhamos feito muitos retratos. Eles participam com prazer e é fácil ir de porta em porta, é até mesmo mais do que fácil, é um prazer. Nos dizemos, indo de porta em porta, que é O prazer destes dias ter estes encontros.
Estávamos na rua quando a chuva começou a cair. Uma mulher de quem tínhamos acabado de fazer o retrato nos chamou para nos abrigarmos na casa dela. Ela é cabeleireira. O objeto importante para ela, é seu secador de cabelo: é seu trabalho e sua paixão. Aliás, ela está tingindo o cabelo de uma de suas filhas. Enquanto chove, ela nos apresenta seus filhos. Seu filho que constrói sua pipa, suas filhas, e sua mais nova, Gabrielle, que tem dois meses e que está penteada, como sua mãe, como sua irmã, com uma pequena flor.

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On a fait du porte à porte et l’averse nous est tombée dessus.
Les habitants sont si accueillants qu’on avait déjà fait beaucoup de portraits. Ils participent volontiers et c’est facile d’aller de porte en porte, c’est même plus que facile, c’est un plaisir. On se dit, en allant de porte en porte, que c’est LE plaisir de ces journées là, ces rencontres là.
On était dans la rue quand la pluie nous est tombée dessus. Une dame dont on venait de faire le portrait nous a appelé pour que l’on se mette à l’abri chez elle. Elle est coiffeuse. L’objet important pour elle, c’est son sèche cheveux : c’est son travail et sa passion. D’ailleurs, elle est en train de colorer les cheveux d’une de ses filles. Pendant l’averse, elle nous présente ses enfants. Son garçon qui prépare son cerf volant, ses filles, et puis la petite dernière, Gabrielle, qui a deux mois et qui est coiffée, comme sa mère, comme sa sœur, d’une petite fleur rose.

la dame blonde / A mulher loira

No térreo, ao lado da biblioteca e da sala de informática, tem banheiros, e nestes banheiros, tem um fantasma. Para ser mais preciso, tem uma fantasma: a mulher loira. Todas as crianças aqui a conhecem e a temem. A mulher loira fecha a porta nas suas costas e, às vezes, dizem, arranha as crianças com suas grandes unhas.
Algumas crianças aqui preferem se segurar do que ir nestes banheiros, e correr o risco de encontrar a mulher loira.

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Au rez-de-chaussée, à côté de la bibliothèque et de la salle informatique, il y a des toilettes, et dans ces toilettes, il y a un fantôme. Pour être plus précis, il y a une fantôme : la dame blonde. Tous les enfants d’ici la connaissent et en ont peur. La dame blonde claque la porte dans votre dos, et parfois, paraît-il, griffe les enfants avec ses ongles longs.
Il y a des enfants, ici, qui préfèrent se retenir que d’aller dans ces toilettes là, et prendre le risque de croiser la dame blonde.

dar um jeitinho

Aqui no Brasil há o oficial e o não-oficial, em todo lugar.
Há a economia oficial e a economia paralela. A economia informal.
Há termos especiais. Dar um jeito. Chegar num acordo. Se virar.
E também há o escambo. A saúde, por exemplo, é muito cara, então Isabelle, nossa tradutora, que é artista plástica, às vezes troca suas obras por uma consulta no médico. É normal dar um jeitinho.
No Brasil, existe um número, o CPF, que é preciso ter para tudo. Uma espécie de número de contribuinte, de identidade, que é preciso apresentar para comprar eletrodomésticos, receber cuidados médicos ou levar adiante qualquer procedimento administrativo. Um número sem o qual todos os serviços públicos, e até os particulares mas oficiais, não são acessíveis.
Um Cadastro de Pessoas Físicas.
Um número de existência oficial.
Então, sem esse número, um mundo informal se desenvolve. Pessoas sem papéis em seus próprios países, e que são, sem dúvida, milhões, e a quem resta sempre a opção de dar um jeito.

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Ici, au Brésil, il y a l’officiel et l’officieux, partout.
Il y a l’économie officielle, et puis l’économie parallèle. L’économie informelle.
Il y a des termes spéciaux. Dar um jeito. Mettre le système D en route. Trouver un arrangement. Se débrouiller.
Et puis il y a du troc. La santé, par exemple, est très chère, alors Isabelle, notre traductrice, qui est artiste plasticienne, échange parfois ses œuvres contre une séance chez le médecin. C’est normal de dar um jentinho.
Au Brésil, il y a un numéro, le CPF, qu’il faut avoir pour tout. Une sorte de numéro de contribuable, d’identité, qu’il faut présenter pour acheter de l’électroménager, pour se faire soigner ou pour n’importe quelle démarche administrative. Un numéro sans lequel tous les services publics, et même privés mais officiels, ne vous sont plus accessibles.
Un Cadastro de Pessoas Fisicas.
Un Enregistrement des personnes physiques.
Un numéro d’existence officielle.
Alors sans ce numéro, il y a un monde informel qui se débrouille. Des sans-papiers de leurs propre pays, et qui sont, sans doute, des millions, et à qui il reste toujours la possibilité de dar um jeito.