Terceiro dia no bairro. Flora e Jérémie percorreram o bairro, batendo de porta em porta. O Howard reuniu os dançarinos na grande sala do centro cultural que é o ponto central, o ponto de encontro dos moradores do bairro. Onde se tomam as decisões sobre a organização e o equipamento desta parte da cidade. Após discussão com os moradores e as associações. Ontem encontramos um monte de pessoas para uma pequena discussão. Dona Amélia milita no bairro há dezenas de anos. Políticamente, humanamente, o encontro foi muito forte, muito enriquecedor. Dona Amélia conhece toda a história do bairro. Ela lutou toda sua vida para melhorar a vida dos moradores daqui. Como um símbolo, ela lutou para que os ônibus da cidade fossem até o bairro, para que todos possam usufruir do transporte público e ligar essa parte da cidade ao centro da cidade. Hoje, tem um ponto de ônibus bem na frente da casa dela, perto da praça onde ficava o antigo centro cultural.
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Troisième jour sur le quartier. Flora et Jérémie ont parcouru le quartier, de porte en porte. Howard a réuni les danseurs dans la grand salle du centre culturel qui est le point central, le point de rencontre des habitants du bairro. Là où se prennent les décisions concernant l’aménagement et l’équipement de cette partie de la ville. Après concertation avec les habitants et les associations. Hier on a rencontré plein de gens pour une petite discussion. Dona Amélia milite sur le quartier depuis des dizaines d’années. Politiquement, humainement la rencontre a été très forte, très enrichissante. Dona Amélia connaît toute l’histoire du quartier. Elle s’est battue toute sa vie pour améliorer la vie des habitants d’ici. Comme un symbole, elle s’est battue pour que les bus de ville aillent jusqu’au quartier, pour que chacun puisse profiter des transports publics et relier cette partie de la ville au centre ville. Aujourd’hui, il y a un arrêt de bus presqu’en face de chez elle, près de la place où se trouvait l’ancien centre culturel.
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Pas-de-porte / batentes

ce soir / essa noite
Essa noite encontramos Guigua que é de uma grande família de músicos do interior de Minas Gerais e toca desde pequena. Para melhor conhecer sua música, ela estudou a musicologia e a filosofia de Deleuze e Guattari. Hoje ele é artista educador e toca e trabalha em todo o estado de Minas Gerais. Ele nos falou do Choro, uma música cheia de nostalgia que ele toca desde sempre e que é transmitida oralmente de geração em geração desde sempre no Brasil. Ele nos contou como o Fernando, como o bairro e a periferia de modo geral acolheu ao longo dos anos artistas, grandes artesãos, em muitos âmbitos da arte e do artesanato. Pessoas como os especialistas do Choro vieram instalar-se no coração dos bairros de Belo Horizonte. Pessoas como guigua retomaram a bandeira e asseguram a transmissão de seus saberes, que são a identidade de toda uma população. É graças a eles que tudo isso pode continuar existindo. Em meio a tudo o que faz a riqueza das periferias: a imensa diversidade das culturas e a influência de uma sobre a outra. O que permite a cada uma de evoluir e se desenvolver. Viver. O Choro é uma música muito peculiar à Minas Gerais, mesmo ela sendo originária da região do Rio. Guigué toca o choro nos bailes do bairro e diz que muitos amores nasceram nos bares e nas boates ao som do Choro… Ele diz também que devido ao êxodo rural que o Brasil conhece há dezenas de anos, muitas práticas artísticas e culturais específicas desapareceram porque as pessoas se instalaram em lugares onde não puderam comunicar seu saber, que se perdeu ao longo dos anos.
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Ce soir on a rencontré Guigua qui est d’une grande famille de musiciens de la campagne du Minas Gerais et joue de la musique depuis tout petit. Pour mieux connaître sa musique il a étudié la musicologie et la philosophie de Deleuze et Guattari. Aujourd’hui il est artiste éducateur et joue et travaille dans tout l’état du Minas Gerais. Il nous a parlé du Choro qui est une musique emplie de nostalgie qu’il interprète depuis toujours et qui s’est transmise oralement de génération en génération depuis toujours au Brésil. Il nous a raconté comme Fernando combien le quartier et la périphérie en général ont accueillis au fil des ans des artistes, des grands artisans, dans beaucoup de domaines de l’art et de l’artisanat . Des gens comme des spécialistes du Choro sont venus s’installer au cœur des quartiers de Belo Horizonte. Des gens comme Guigua ont repris le flambeau et assurent la transmission de ces savoir faire, qui sont l’identité de toute une population. C’est grâce à eux que tout cela peut continuer d’exister. Au milieu de tout ce qui fait la richesse des périphéries : l’immense diversité des cultures et l’influence des unes sur les autres. Ce qui permet à chacune d’évoluer, se développer. Vivre . Le Choro est une musique très particulière au Minas Gerais, même si elle trouve son origine dans la région de Rio. Guigué joue le choro dans les bals de quartier et il dit que bien des amours sont nés dans les bars et les boîtes sur la musique du choro… Il dit aussi qu’à cause de l’exode rural que le Brésil a connu depuis des dizaines d’année, beaucoup de pratiques artistiques et culturelles spécifiques ont disparu parce que les gens se sont installés dans des endroits où ils n’ont pas pu communiquer leur savoir qui s’est perdu au fil des ans.
Football / Futebol

ce matin / essa manhã
Essa manhã encontramos o Fernando que está à frente da fundação do Centro Cultural do bairro de São Bernardo. O Fernando diretor de teatro. Ele trabalha principalmente com teatro nos bairros populares. Ele diz que a vanguarda artística nasce nas zonas periféricas. Ele trabalha muito com cultura popular e gere vários ateliês. Ele participa de diversas atividades de criação e pesquisa que ocorrem no centro. Ele organiza noites literárias nos bistrôs de São Bernardo. Ele propõe textos poéticos que são recitados ao som de funk interpretado pelos moradores do bairro. Ele diz no Brasil, quando espirramos, falamos « saúde ». Ele diz eu criei uma prescrição artística. Ele trabalha há vinte anos no bairro. Ele trabalha com vários grupos de jovens que ele introduz ao mundo do teatro. Ele nos falou longamente do Nelson Rodriguez. Ele diz é o maior autor de teatro do Brasil. Ele diz também que é a carticatura da periferia. Doreen Vasseur, da companhia da Fiancée em Lille, no norte da França, dirigiu um texto de Nelson Rodriguez. No 11/19 em Loos em Gohelle. Nos lembramos como foi impressionante.
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Ce matin on a rencontré Fernando qui est à l’initiative de la fondation du Centre Culturel du quartier São Bernardo. Fernando est metteur en scène de théâtre. Il fait principalement du théâtre dans les quartiers populaires. Il dit que l’avant garde artistique naît dans les zones périphériques. Il travaille beaucoup sur la culture populaire et anime de nombreux ateliers. Il participe à de nombreuses activités de création et de recherche qui ont lieu au centre. Il organise des soirées littéraires dans les bistrots de São Bernardo. Il propose des textes poétiques qui sont dits sur de la musique funk interprétée par des habitants du bairro. Il dit au Brésil quand on éternue on dit « santé ». Il dit j’ai créé une ordonnance artistique. Il travaille depuis vingt ans dans le quartier. Il travaille avec de nombreux groupes de jeunes à qui il donne le goût du théâtre. Il nous a longuement parlé de Nelson Rodriguez. Il dit c’est le plus grand auteur du théâtre du Brésil. Il dit aussi que c’est le visage craché de la périphérie. Doreen Vasseur de la compagnie de la Fiancée à Lille dans le nord de la France a mis en scène un texte de Nelson Rodriguez. Au 11/19 à Loos en Gohelle. On se souvient combien c’était impressionnant.
mestre Conga / solidaridade / centro cultural
place de la solidarité / praça da solidariedade
A Adélia nos levou até a praça da solidariedade. É aqui que havia antigamente um comissariado, que foi em seguida uma venda de bebidas e depois um centro cultural até 2004. Agora, é uma praça. O terminal de ônibus de Belo Horizonte. O centro cultural mudou para um pouco mais longe, ele é maior, mais equipado.
Enquanto isso, o Didier e a Martine encontraram a Marilsa. Ela trabalha com patrimônio intangível, com crianças, idosos. Valorizar as pessoas pelas suas memórias. Fazer a pergunta das histórias, da história. Atualmente, ela trabalha em um projeto de coleta de jogos antigos, de receitas de avós, de músicas, etc.
Ela coleta e transmete aos mais jovens. Uma corrente de transmissão, revezamento.
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Adélia nous a emmené jusqu’à la place de la solidarité. C’est ici qu’il y avait autrefois un commissariat, qui a été ensuite un débit de boisson, puis un centre culturel jusqu’en 2004. Maintenant, c’est un place. Le terminus des bus de Belo Horizonte. Le centre culturel s’est déplacé un peu plus loin, il est plus grand, et mieux équipé.
Pendant ce temps, Didier et Martine ont rencontré Marilsa. Elle travaille sur le patrimoine immatériel, avec des enfants, des personnes âgées. Valoriser les gens par leur mémoire. Se poser la question des histoires, de l’histoire. En ce moment, elle travaille sur un projet de récolte des jeux anciens, de recettes de grand-mères, de chansons…etc.
Elle récolte et elle transmet aux plus jeunes. La courroie de transmission.
portraits du premier jour / retratos do primeiro dia
plus d'une heure / mais de uma hora
Passeio no bairro hoje de manhã. Bater de porta em porta para os retratos no batente da porta, e recolher fotos de objetos. Estávamos acompanhados pela Adélia e pela Marisa.
Demoramos mais de uma hora para fazer toda a primeira rua, de tão bem que as pessoas reagem e aceitam participar
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Promenade dans le quartier ce matin. Porte à porte pour les portraits sur le pas de la porte, et puis récolte de photos d’objets.
On était accompagné d’Adélia et de Marisa.
On a mis plus d’une heure pour faire la toute première rue, tellement les gens réagissent bien, et acceptent de participer.



